Quando as coisas vão bem, não precisamos fazer perguntas como, por exemplo: "Será que eu vou conseguir?" ou "E se eu esquecer?". Surpreende-me muito, porém, a capacidade que temos de deixar as coisas simples em segundo plano, porém, muitas vezes podem mudar inteiramente o rumo de nossas vidas.
Parte I - Um encontro
Você já parou para pensar o quanto de coisa deixamos para trás, sem perceber, e só depois de algum tempo percebemos o que temos feito? Deixe-me ir mais a fundo... Você se lembra quantas pessoas lhe desejaram um "bom dia!" hoje, os quais foram respondidos por um "bom dia" sem graça e uma expressão indiferente? Pense nisso... Onde você estava com a cabeça? Pensando num "amigo perfeito", talvez? Ahh! Desculpe-me a grosseria. Só que a humanidade, tem buscado algo que nunca conseguirá encontrar, pois procura da maneira errada. Não entendeu? Entenderá mais tarde - se tiver coragem.
Não existem amigos perfeitos, pois não existem pessoas perfeitas. Recordo-me de duas moças, grandes amigas, ambas sentiam um carinho enorme uma pela outra. Porém, estavam sempre magoadas uma com a outra. Um dia, perguntei a uma delas, o que acontecera, e ela respondeu-me o seguinte: "Sei que tenho uma ótima amiga, porém, ela não demonstra preocupar-ser comigo. Às vezes não percebe quando estou triste, e por isso, fico muito chateada com ela".
Não respondi nada, pois, realmente não saberia o que responder naquela ocasião. Passei a noite inteira pensando no que poderia dizer àquela jovem para que ela se sentisse melhor. Realmente, não seria uma tarefa tão fácil, este assunto é sempre muito delicado.
Amanhecera e eu já tinha uma conclusão formada. Já sabia o que dizer, caso essa situação se repetisse. Se você não tiver coragem de continuar lendo - pois o "papo forte" começa a partir do próximo parágrafo - então, ponha a seta do mouse sobre o X da janela e clique sobre ele. Mas se estiver disposto a ler até o fim, sabendo que talvez todo o conceito de "amizade" que você tinha até hoje acabe, mas prefere saber agora, do que tarde demais, então, a nossa conversa começou agora.
Encontrei-me com a jovem que não estava como antes, porém, pior. Sua aparência era como a de uma pessoa que não dorme há uma semana. O que havia acontecido? Eu não sabia. Talvez fosse pelo mesmo motivo, ou então brigara com os pais... O fato é que isso não importa - pelo menos no momento - pois o que estava prestes a falar a ela mudaria a sua vida completamente a partir daquele momento.
- Olá, moça! Por que chora?
- Não importa, o que você quer? - respondeu a jovem, num tom um tanto agressivo.
- Quero falar sobre você. - respondi pacientemente e com um olhar muito sincero, que passou, porém, despercebido, já que em nada mais a jovem prestava atenção.
- Sobre mim? O que você sabe a meu respeito!? - Dessa vez, a moça agiu ainda mais grossa, mas eu já estava preparado para isso. Aprendi há algum tempo que quanto mais frágil o "soldado", mais resistente é a sua "armadura", se é que você me entende.
Antes de dizer o que aconteceu depois - coisa que talvez você nem acredite, pois foi assunto que não é pra qualquer um e talvez o adulto mais sábio não compreenda - quero lhe dizer uma coisa: Geralmente, quando as pessoas precisam de ajuda, são nesses momentos que elas mais se fecham a nós. Então eu digo para você. Qual posição você está assumindo nessa história? A minha ou a da jovem? Se for a minha, talvez não importe tanto, você continuará lendo essa história e vai perceber que precisa ser muuuuuuuuito paciente, como Jesus. Mas se for a da jovem moça... Então eu quero dizer uma coisa para você: São as simples coisas - como já havia falado lá atrás - que podem transformar a sua vida. Você nem está lendo isso por acaso, sabia? Acho que já está mais do que na hora de retirar a armadura e por pelo menos um momento, se despojar dela. Seja quem você realmente é, pois precisará disso para continuar lendo.
Voltando à conversa. Sentei-me ao lado da jovem e passei alguns minutos em silêncio - minutos esses que mais pareceram horas - e depois de um longo suspiro (dela), resolvi tomar a palavra:
- O que você está fazendo aqui? - na verdade, fiz essa pergunta propositalmente, pois sabia que ela iria responder qualquer coisa, porém, o questionamento iria muito além do que ela poderia imaginar. Então a jovem respondeu, já com um tom de voz mais calmo, como se estivesse exausta:
- Oh, Natan! Estou tão triste! Não consigo entender porque as coisas acontecem... Percebi que minha amiga, na verdade, nunca queria me magoar. Talvez tenha feito uma ou outra coisa por sua própria vontade, mas não era sua intenção me deixar tão "pra baixo", por isso sinto-me culpada.
Naquele momento, eu já agradecia a Deus por aquilo. Na verdade, a moça percebera que sua amiga passara por um momento de muita angústia em sua família no dia anterior. Era ela quem precisava de conforto, de abraço, de carinho. Mas não teve, pois a jovem, que estava conversando comigo, estava pensando apenas em si própria. Ela nunca pensara em perguntar à amiga como a mesma se sentia ou algo parecido, pois estava muito preocupada consigo mesma. A jovem continuou:
- Eu não consigo amar as pessoas, do jeito certo, entende? É como se eu as amasse, mas as quisesse apenas para mim. E quando me apego, faço de tudo para que ninguém mais se aproxime, pois tenho medo de perder a amizade.
Era realmente uma situação muito difícil para ela e principalmente para mim. Mas, o que ela viera a falar em seguida, mudou todo o rumo da conversa:
-Natan, eu não quero ser assim.
Não precisou mais de nenhuma palavra, para que eu entendesse o que deveria ser feito e o que aquela jovem iria experimentar a partir daquele momento. Você já percebeu o que está acontecendo? A jovem moça tinha muitos defeitos, talvez nem fosse sua culpa, mas ela tomou uma decisão. Isso mesmo! De-ci-são. A decisão de não querer ser mais daquele jeito. Ela queria amar, mas, amar da maneira correta. Porém, o que seria necessário que fizesse? Uma coisa eu sei: Não seria uma tarefa muito fácil. Na verdade, são poucas as pessoas que sabem amar... As pessoas pensam que amam, mas na verdade, não amam coisa nenhuma. A humanidade ama até quando o outro está "andando na linha", mas quando algo de errado acontece, já não ama mais. Isso não é amor! As pessoas pensam que o amor é um substantivo qualquer. Amor é muito mais que isso. Amor é decisão e por isso, aquela moça já começara a amar naquele momento, pois havia se decidido em ser melhor...
Aguarde a segunda parte.